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A magia e a arte circense


Hoje, com tudo organizado dentro do politicamente correto, até o circo virou uma chatice. Ter animais é proibido. O risco de morte não existe mais, o frio na barriga desapareceu, pois todos devem evitar acidentes de trabalho. Os que resistem estão muito moderninhos, não sobrou quase nada além do palhaço. Nem dá pra dizer mais que “minha vida virou um circo”.

Os profissionais resistem ao tempo, não se sabe até quando. Araçatuba, por exemplo, não reservou uma área pública bem localizada para os circos, por isso se submetem a aluguéis exorbitantes. O circo perdeu a graça. O circo da canção “O circo chegou”, cantada por Jorge Bem, está apenas na memória dos mais idosos.
Hélio Consolaro

O circo e sua origem

Um circo é normalmente uma companhia em coletivo que reúne artistas de diferentes especialidades, como malabarismo, palhaço, acrobacia, monociclo, contorcionismo, equilibrismo, ilusionismo, entre outros.

As civilizações antigas já praticavam algum tipo de arte circense, mas o circo tal qual conhecemos atualmente, começou a tomar forma no Império Romano. O primeiro a se tornar famoso foi o Circus Maximus, que teria sido inaugurado no século 6 a.C., com capacidade para 150 mil pessoas. A atração principal eram as corridas de carruagens, mas, com o tempo, foram acrescentadas as lutas de gladiadores, as apresentações de animais selvagens e de pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. No início da era medieval, artistas populares passaram a improvisar apresentações em praça pública, nascendo ai a família de saltimbancos, que faziam suas apresentações cômicas em praça publica.

Tudo isso, porém, não passa de uma pré-história das artes circenses, porque foi só na Inglaterra do século 18 que surgiu o circo moderno, com seu picadeiro circular e a reunião das atrações que compõem o espetáculo ainda hoje.

O circo chegou ao Brasil em meados do século 19. Existem cerca de 2.000 circos espalhados pelo país, sendo 80 de porte médio e grande.

Cenas do espetáculo Bagum S/A do Circo Fiesta
Cultura circense em Araçatuba

Atualmente Araçatuba recebe as apresentações do Circo Fiesta, que fica em cartaz com o espetáculo “Bagum S/A” até o dia 31/03 (domingo). Criado em 1992, já foi patrocinado pela empresa alimentícia Nestlé para o lançamento de determinado produto, como conta o proprietário do circo, César Guimarães, “Tivemos a sorte de ter as características que eles estavam procurando um circo jovem que tinha algumas características (SIC) do produto que eles estavam lançando, então, de 1992 nós ficamos cinco anos com o patrocínio da Nestlé”.

Ele conta que a vinda para Araçatuba se deu pelo fato de estarem há 17 anos sem fazer apresentação na região, incluindo também as regiões de Presidente Prudente e São José do Rio Preto.  “Essas cidades foram superimportantes e amaram nosso circo na época, as que mais prestigiaram nosso circo” exalta César. 

Cenas do espetáculo Bagum S/A do Circo Fiesta

O estudo e a vida social

A socialização das crianças circenses com o mundo distante do picadeiro, segundo ele, é de extrema importância na formação do caráter profissional e pessoal. Ele iguala os que convivem no âmbito do circo, como príncipes que dominam todas as técnicas, mas que ao sair desse meio, se depara com a realidade do mundo “real”. A vivência diária com as mesmas pessoas, gera um desconforto por parte dos menores que não se acostumam com o estilo tradicional de vida. Todas as escolas públicas têm obrigação de receber crianças oriundas de circos, mesmo que não tenham vaga.

A idealização de espetáculos

Circo Fiesta - Mix de teatro com arte circense
O Circo Fiesta está em cartaz com o espetáculo “Bagum S/A”. Uma mescla de teatro, artes cênicas, dança e o tradicional do circo. Ele explica que a idéia das apresentações, surge “conforme o nosso cotidiano mesmo, as dificuldades, as superações [...]”.

“É um circo que tem a característica circense, mas que tem muito do teatro, da expressão corporal, um pouco da dança” afirma. A idéia de transmitir o cotidiano visa à busca pelo público que se afastou do picadeiro, mas que volta agora com seus filhos e netos. César também citou o fato da renovação circense que os donos devem buscar, para que não regridam e voltem ao passado, fazendo com que o circo caia no esquecimento novamente.

As escolas de circo também são uma das ferramentas muito utilizada na formação de profissionais que atuam no picadeiro, e na criação de novos espetáculos. É o caso de Maikon Elvino Ferreira, que tem dois nomes de palhaço, Fuinha e Chuquinha. Ele conta que aprimorou o gosto pelo picadeiro em uma escola de circo em Toledo, como conta em entrevista aos alunos do terceiro semestre de jornalismo do Centro Universitário Toledo.

Estrutura do circo

Todos os circos são munidos de grandes equipamentos, entre cenografia, parte elétrica, tenda, entre outros apetrechos. O numero de profissionais que atuam num circo, varia de acordo com seu tamanho. No Fiesta, o numero de profissionais varia de 39 a 45.

Ouça a música de Jorge Bem, clicando sobre o link abaixo: