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TEM COISA NOVA NO MUSEU


               Geralmente as baladas sociais ocorrem no meio da noite, ou no comecinho se for um evento formal. Mas o que se espera num sábado de manhã?  Talvez um churrasqueiro ou as compras do calçadão, sem esquecer-se de noivos e noivas nos Cartório de Registro Civil.   E mais nada!

               Mas foi diferente neste sábado de 26 de março, a maior agitação estava no Museu, mais propriamente dito, nos jardins do Museu Pedagógico Marechal Cândido Rondon.  Se ali dentro os objetos estão obsoletos, não se via isso nos “hortus”. Um burburinho ali ou bulício aqui, vozes e risos, o “troca-treco”, cada um com seu objeto. 
                Coisa antiga até tinha, estranha também, imprestável nenhuma! É nova vertente a existir. Quando lá dos primórdios da humanidade, o escambo era a única maneira de se ter outras mercadorias. Agora o sentido é sustentabilidade, pra não se desperdiçar.

               A idéia é assim: a pessoa gosta muito de um objeto e por alguma razão já não mais utiliza. Se doar para uma entidade social (em seguida para um individuo) teme-se que, este não saberá aproveitá-lo ou nem vai utilizar, pois veio de graça e de graça não se dá o valor correto.  
               Este receio não existe na troca, pois os entendimentos e sentimentos são recíprocos. Poderá até talvez ocorrer que a pessoa não vá realmente utilizar como deveria.  Mas naquele momento, lá no Jardim, ao ver o rosto de satisfação do adquirente, já basta. É bastante psicologicamente positivo.

                 Neste sábado bonito, sob a coordenação da Rede Social Araçatuba, SENAC, e a Secretaria Municipal da Cultura, a 2ª edição da Feira de Trocas Solidárias foi o “sucesso das sucessões em sustentabilidade”.  Tanto é que já ficou marcado a 3ª edição do Evento para o próximo  dia 30 de abril.

                  Recorda-se que a primeira realizada teve efeito muito bom. A integração entre as pessoas foi excelente, tinha até o poeta trocando as suas declamações ao vivo “in loco” e a cores, a pessoa ouvinte trocava um vivo olhar, localizava ali  flores para trocar, mas o que o poeta queria mesmo era um abraço a ganhar.    
                  Inusitado deste ultimo evento foram estórias para fazerem inveja das peças históricas lá de dentro do bucólico Museu.   Até os funcionários entraram na agitação opinando nos gostos.  Uma jovem senhora levou uma escova elétrica de cabelo e de longe avistou o que desejava, uma baixela  de louça, a proprietária deste jogo que  muito deseja enrolar seus cabelos,  de imediato à troca ligou  o aparelho na tomada do recinto, e ali mesmo completou uma escova, saindo toda produzida pela rua. Pergunte-me o quanto de risos isto trouxe. Incalculável!

                  Surpresa foi a vinda de varias pessoas de outras cidades após saber pela mídia, ao aproveitar o dia de compras trouxeram seus exemplares a trocar. Outro da capital lembrou que lá, começou  assim  pouquinho,  quase nada  e que agora  está  com dois  efervescentes quarteirões. 
                  Outros então eram novos moradores na cidade vindos de Minas, da capital, do circuito das águas e Piracicaba aproveitaram e foram conhecer o Museu. Ou seja, o evento serviu para que interagisse culturalmente e historicamente com novos moradores.  
                   Uma servente dali observou que em um mês não se viu tanta gente quanto nestas poucas horas.  Houve até Araçatubense dizendo que sempre queria conhecer o Museu, mas tinha vergonha de entrar sozinha. Aproveitou hoje.
                   Outro fato engraçado, foi um pai junto com seu filho de 10 anos, ao avistar um boi entalhado em madeira, pediu para a proprietária que aguardasse. O pai saiu e voltou meia hora depois com um enorme ursinho rosa e amarelo.  A dona do boi concordou a troca pelo urso, pois iria dar de presente à sua afilhada. O garoto saiu feliz e aliviado.
                    Assim, entre a vaca e o urso, o penteado e os bules entre bandeja, a escova elétrica, e os super-heróis das capas dos gibis e a sabedoria dos livros, venceu a campeã, a solidariedade. Acima dos objetos, o escambo das almas foi mais marcante, pois se trocou harmonias. Um encontro de minutos entre pessoas que nunca se viram e que juntas deram risadas e se divertiram.

                   É de fato um aspecto pra se reconhecer que  estamos numa única aldeia.   Ricos de espírito.     
 
Francisco Moreno