Pesquisar este blog

Patrimônio histórico - Centro Cultural Ferroviário é interditado

(Veja álbum ao lado)

Prefeitura fecha construção de 1920 depois de averiguar problemas de estrutura que podem causar desabamento; restauração será estudada
Sérgio Guzzi – Folha da Região de 5/9/2009

Um dos poucos prédios tombados como patri­mônio histórico de Ara­çatuba, o Centro Cultural Ferro-viário foi interditado pela Prefei­tura ontem. A construção, ergui­da na década de 1920 para abri­gar uma oficina de locomotivas da antiga NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), apresenta sé­rios problemas em sua estrutura e corre o risco de desabar.

Utilizado como abrigo para feiras, atividades culturais e ex­posições desde a retirada do tra­çado ferroviário da região cen­tral da cidade, o Centro Cultural está com a estrutura de madeira que sustenta o telhado tomada por cupins. As paredes, com in­clinações devido a afundamento do alicerce, também apresentam infiltrações por causa do acúmu­lo de água em calhas. Ainda fo­ram detectados problemas nas precárias instalações elétricas.

O laudo sobre a situação da construção foi finalizado ontem, com pareceres do engenheiro Avelino Rocha e dos arquitetos Toshio Araki e Luís Geraldo Tei­xeira, da Se~retaria de Planela­mento e Habitação, e também do secretário de Obras e Servi­ços Públicos, Tadami Kawata.

De acordo com a secretária de Plane)amento, Denise Schnei­der, a interdição foi necessária para evitar que vidas fossem co­locadas em risco no local. Segun­do ela, a vistoria no Centro Cul­tural foi solicitada pelo secretá­rio de Cültura, Hélio Consolaro, após exposição de artes realiza­da no espaço

Denise disse ontem que ain­da não é possível prever a recu­peração da construção. Ela afir­ma que tudo dependerá de um minucioso estudo que terá de ser feito no local. Destacando o fato de o Centro Cultural ser um dos poucos patrimônios históri­cos de Araçatuba, ela lembra que obras de recuperação que vierem a ser feitas não poderão alterar as características da cons­trução. “Temos que preservar a vida das pessoas, inclusive de funcionários que vierem a traba­lhar no interior do prédio fazen­do estudos em sua estrutura”, disse.

SUPERFICIAIS

Essa não é a primeira inter­dição do Centro Cultural. No iní­cio de 2003, após fortes chuvas que atingiram a cidade, o telha­do apresentou problemas e o pré­dio teve utilização proibida ao público. Reparos superficiais fo­ram feitos posteriormente, per­mitindo a reabertura do espaço.

Além da antiga oficina de lo­comotivas, tombada em 1992, Araçatuba tem outros três pré­dios declarados pela administra­ção municipal como patrimô­nios históricos. Naquele mesmo ano, também foram a tomba­mento a Casa de Cultura Profes­sor Adelino Brandão e o Museu Histórico e Pedagógico Mare­chal Cãndido Rondon. Cinco anos mais tarde, foi a vez da Ca­pela Santo Onofre. As edifica­ções são marcas da época da es­trada de ferro, a partir da qual a cidade se desenvolveu.

“Imóvel tombado deveria ser preservado”

Falta de manutenção. Pes­soas ouvidas ontem pela Folha da Região afirmam que esse foi o principal motivo que levou o Cen­tro Cultural Ferroviário à interdi­ção. Sem melhorias durante déca­das, a estrutura não resistiu à ação do tempo.

Presidente do antigo Conse­lho Municipal de Cultura e mem­bro do novo órgão em processo de formação, Salomé Macedo disse ontem que a interdição era uma medida necessária. “Foram anos de uso daquele local para eventos, inclusive sem cunho cultural, sem qualquer tipo de manutenção”, disse. “O poder público não dis­pensou ao espaço os cuidados ne­cessários.”


Salomé ainda destaca a impor­tância do Centro Cultural como pa­trimônio histórico. Ela defende a re­cuperação da estrutura, porém não com mecanismos paliatlvos, e a adoção de disciplina para eventos realizados no local. “Um espaço in­terditado significa que ele pede so­corro”, avalia. “Sem dizer que imó­vel tombado deveria ser sinônimo
de imóvel preservado.”

Uma das pessoas responsá­veis pelos poucos tombamentos ocorridos em Araçatuba, a geógra­fa, historiadora e professora Sarah Barbosa lamenta a interdição do Centro Cultural. “Ali há coisas muito fortes da história da cidade, como detalhes em peroba no pi­so”, disse. “Se brincarmos, Araça­tuba perderá o pouco que tem de sua história. Isso não poderia ter acontecido porque aquele é o mais belo prédio histórico que te­mos.”

REFLEXOS
A interdição do Centro Cul­tural pegou a direção da Apae (As­sociação de Pais e Amigos dos Ex­Çepcionais) de surpresa. A entida­de teve de mudar o endereço de bazar beneficente previsto para os dias 11 e 12 deste mês.
Marcado para ocorrer no Centro Cultural, o evento será realizado na sede da própria Apae, na avenida Prestes Maia, no Jardim TV. Na sexta-feira, das 9h às 20h, e no sábado, das 9h às 1 8h.
Ofício da Secretaria de Planejamento e Habitação
Araçatuba 03 de setembro de 2009.


Prezado Secretario
Ilmo Sr Hélio Consolaro



Em resposta a sua solicitação através do processo n° 2009/33512 temos a informar:
No dia 02 de setembro de 2009 foi realizada vistoria no local, (Centro Cultural Ferroviário), da qual participaram Sr Secretario de Obras Tadami Kawata, Engenheiro Avelino Rocha, Secretaria de Planejamento Arquiteto Toshio Araki e Arquiteto Luiz G. Teixeira, Constatou-se que as estruturas de madeira do telhado estão sendo, atacadas Corniíermes cumulans (cupins), que há vazamento de água junto às calhas, que a alvenaria frontal do prédio está comprometida devido a problemas estruturais, que as instalações elétricas são precárias e finalmente que toda estrutura do telhado fica comprometida devido às instabilidades no conjunto estrutural (conforme fotos em album ao lado); Portanto foi entendimento de todos os presentes deve ser Sugerida a suspensão de todos os eventos a serem realizados neste local, considerando elevado grau de risco.

Após, ciente deste, enviar a Secretaria de Obras para providenciar o escoramento da estrutura do telhado, a fim de evitar danos maiores à estrutura.

LUIZ GERALDO TEIXEIRA
DIRETOR DEPARTAMENTO DE HABITAÇÃO
ARQUITETURA E URBANISMO
SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E HABITAÇÃO