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Cultura, a menor secretaria

Hélio Consolaro*

Nunca havia exercido o Poder Executivo, nem por extensão, como é um secretário de uma administração municipal. Aos 60 anos, o amigo e companheiro Cido Sério (PT) me deu a oportunidade em ser o secretário da Cultura da cidade onde nasci e vivo, Araçatuba.

Já fui presidente de quermesse, de clube de futebol, de festa da padroeiro, membro de diretoria de sindicato, de conselho paroquial, da AAL. Até vereador, mas nunca exercera cargos no poder público, nem de chefe de seção. Para mim, está sendo um aprendizado.

Na cultura, represento o prefeito, seu plano de governo. Como ele abraçou o documento “Carta aos Candidatos”, elaborado pelo Conselho Municipal de Cultura, do qual eu era secretário, que convidou os agentes culturais para que ajudasse elaborá-lo, dizer não ao convite feito por Cido Sério e Carlos Hernandes, seria covardia: ajudar na montagem de um projeto e depois se negar a executá-lo.

A secretaria da Cultura de Araçatuba tem muitos problemas, como é bom tê-los. Em muitos municípios a cultura é apenas um departamento ou uma divisão, faz parte de um nome comprido: “Secretaria de Esportes, Turismo, Lazer e Cultura”.

Outro dia recebi a visita da companheira Gisele Silva, de Birigui, e ela presenciou a correria existente na secretaria. E disse:
- Que inveja dessa correria, pois lá não temos oportunidade de ter isso!

Ela se compõe de várias unidades: Casa de Cultura Adelino Brandão (com Teatro Castro Alves), Centro Cultural dos Ferroviários, Museu Marechal Rondon, Biblioteca Rubens do Amaral (com Teatro Paulo Alcides Jorge).
Na Casa de Cultura, funcionam a escola municipal de balé, a orquestra de sopro (Sid Frota), orquestra de câmera (Célio Novaes), a fanfarra (FAMA), o projeto Guri, as oficinas culturais e a burocracia da própria secretaria. Nela, nos anos de chumbo, funcionava o Intec, reduto de quando cultura era coisa de subversivo.
Cada unidade tem seus problemas, e graves. Mas as deficiências materiais são superáveis, basta empenho. O problema maior é que a secretaria viveu uma época de descrédito. Ela (feudo político de vereador) e os agentes culturais ficaram de costas. Como secretário, estou tentando romper as barreiras, promovendo reuniões com cada segmento artístico, dizendo:
- Venha, vamos ser parceiros!
Para tanto, conto com uma equipe de bons companheiros: Paulo Ricardo A. Siqueira, Alexandre Melinsky, Simone Gava Leite, Réggis Antônio, Carlos Pauptiz, Umbelina Martinez Rodrigues e mais 40 funcionários de carreira.
Cultura, a menor secretaria, o menor orçamento, a que tem menos funcionários. O lugar em que ela sempre ocupou em nossa mentalidade. Em 2010, teremos 2%, mais que o dobro das verbas de 2009.
O futuro promete, precisamos construí-lo.

*Hélio Consolaro é secretário da Cultura de Araçatuba-SP.