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Museu sedia debate sobre cotas em universidades



O Museu Marechal Cândido Rondon sediou ontem um encontro da diversidade de opiniões. Cerca de 60 pessoas participaram do debate sobre as cotas em universidades públicas para negros e pardos, promovido pela Secretaria de Participação Cidadã. O sistema de cotas completou 10 anos no Brasil; a primeira lei (3.708/01) foi implantada no Rio de Janeiro e assegurou 40% das vagas aos estudantes afrodescendentes em escolas de ensino superior do Estado. 

O secretário Alex Lapenta mediou o debate, lançando frases favoráveis e contra a lei para fomentar a discussão. “Não estamos querendo identificar o que é certo, mas sim construir uma conclusão por meio da participação”, disse. 

A professora de história Silvana Antônia dos Santos Paupitz fez um apanhado de leis como a “Ventre Livre” (28 de setembro de 1871), “dos Sexagenários” (28 de setembro 1885) e “Áurea” (13 de maio de 1888). “Estas leis nunca beneficiaram os negros, e sim os senhores. Os escravos foram libertados, mas sua condição social permaneceu a mesma”, lembrou a historiadora.

CONTRA E A FAVOR 

Estudantes da Escola Estadual José Augusto Lopes Borges também participaram. A jovem Amanda Cristina Alves Barros, 18 anos, se posicionou contra. “Sou negra, minha família toda é negra, e sou contra as cotas. A gente não deve ficar olhando para o passado. Todos temos capacidade de superar as dificuldades”, opinou.

Para atriz Tânia Antunes, que leciona em escolas particulares e estaduais, a política de cotas é necessária. “O número de alunos negros nas particulares é infinitamente menor que nas estaduais. Sem as cotas, o acesso às melhores universidades é raro”, destacou.

Também participaram do debate o presidente da Associação Cultural Afro-brasileira de Araçatuba, Joaquim Januário Pereira, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Regina Arruda, e a coordenadora do Centro de Referência da Mulher, Olga Saito, e o secretário de Turismo, Carlos Nova.