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Grupo Tapa de São Paulo apresenta "Mão na Luva"


O Grupo Tapa traz para Araçatuba, aniversário da cidade, a peça de grande sucesso em SP “Mão na Luva” de Oduvaldo Vianna Filho, com Isabella Lemos e Marcelo Pacífico.
Dia 1.º de dezembro (terça-feira) às 20h30 no Teatro Municipal Paulo Alcides Jorge. Única Apresentação (Rua Armando Sales de Oliveira, s/n° – Bandeiras).
Preço Único: R$ 5,00 (cinco reais) - Ingressos à venda na Secretaria Municipal de Cultura (18) 3636.1270
Realização: Grupo Tapa.
Produção: MdA International.


Sinopse da peça
MÃO NA LUVA enfoca a noite de separação de um casal, chamados pelo autor de Ele e Ela, depois de nove anos de casamento. Em flash-backs constantes, o autor monta um excepcional quebra-cabeça que desvenda aos poucos os motivos, as dores, as alegrias, as decepções e as razões que levam o casal a passar esta noite em claro discutindo e revivendo sua história.
Ele é jornalista de uma revista que está se vendendo aos interesses econômicos e políticos da época. Idealista, busca organizar uma publicação independente junto com companheiros de trabalho. Mas ao se render ao regime, tomando o lugar de um dos companheiros que já havia deixado a revista, Ele sobe na vida, contradiz todos os seus ideais e perde a estima dos amigos e, principalmente, da mulher, Ela. Ao rever a história de 9 anos de casamento, que inclui ainda aventuras extraconjugais de ambos os lados, Ela anuncia o desejo de deixá-lo, acusando-o de fraqueza moral. A questão ética vivida por Ele tem o mesmo peso dramático da traição amorosa.
Assim, discutindo princípios, coerência ideológica, oportunismo e infidelidade, Vianinha trata de amor, confiança e relações, sem fugir de sua dramaturgia engajada.


Sobre o autor
Nascido em Humaitá, Rio de Janeiro, filho do teatrólogo Oduvaldo Vianna e de Deocélia Vianna, Vianinha (como sempre foi conhecido) viveu intensos e produtivos – mas curtos - 38 anos.
“Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (1936-1974), tornou-se o paradigma do artista criador e intelectual consciente do Terceiro Mundo, que acreditou na arte como forma de conhecimento e a utilizou como arma para a libertação. Com paixão avassaladora e uma dedicação quase religiosa, Vianinha se entregou inteiro à utopia de, como artista e cidadão, ‘mudar o mundo’...” Alcione Araújo, no prefácio do livro Vianinha Cúmplice da Paixão de Dênis de Moraes.
Dramaturgo, ator, roteirista de cinema e televisão, participou ativamente (muitas vezes como fundador e líder) de vários movimentos e grupos teatrais e políticos.
Vianinha recebeu vários prêmios por seus textos teatrais, inclusive alguns póstumos em virtude de terem sido censurados pela ditadura. E está em lugar de destaque na dramaturgia brasileira por obras como: MÃO NA LUVA, Moço em Estado de Sítio, Corpo a Corpo, Papa Highirte e Rasga Coração. Faleceu em 16 de julho de 1974, vítima de tumor no pulmão.


DEPOIMENTOS

“um apaixonadíssimo poema de amor, recitado através de diálogos de um lirismo desenfreado, às vezes singularmente pouco submisso às normas do raciocínio...” Yan Michalski, crítico teatral.


Dentre os diversos autores já trabalhados pelo Grupo TAPA, desde sua fundação em 1979, Oduvaldo Vianna Filho é um dos dramaturgos brasileiros mais instigantes e desafiadores. A força e poesia de seu texto são diretamente aliadas a um experimentalismo cênico que desafia não só os atores, como seu público.
Passamos por este processo nas montagens de Moço em Estado de Sítio e Corpo a Corpo, ambas exigindo um longo processo de elaboração até que se chegasse a um entendimento e comportamento condizente com o texto proposto por Vianinha e também dentro dos padrões do grupo.
O trabalho iniciado por Isabella Lemos e Marcelo Pacífico em 2007 foi surpreendente na medida em que eles encontraram uma forma muito particular de encenar este texto e este autor, se apoderando com muita propriedade do tema para criar sua própria linguagem cênica, além de possuírem o perfil adequado aos personagens.O apoio e coordenação de Brian Penido e Guilherme Sant´anna foram muito importantes dentro do processo, que contou ainda com a participação de estudiosos do autor e sua obra, além de atores do grupo TAPA que participaram das montagens supracitadas, como André Garolli e Zé Carlos Machado.Este projeto recebeu até aqui apoio e supervisão irrestrita do grupo TAPA e merece ser considerado por sua alta qualidade e valor cultural. Eduardo Tolentino de Araújo - Diretor/Fundador do Grupo TAPA


O projeto de adaptação e encenação de “Mão na Luva”, texto dramatúrgico de Oduvaldo Vianna Filho escrito em 1966, é oportuno e instigante para todos os que consideram que o teatro tem um papel a cumprir no que diz respeito à formação de um pensamento crítico sobre o país. Trata-se de uma peça de caráter experimental crivada de recortes espaço-temporais e impregnada de forte lirismo, escrita pouco depois da instauração da ditadura militar, quando os elos de ligação do teatro com o trabalho artístico politicamente empenhado produzido na fase anterior haviam sido sumariamente interrompidos. Em “Mão na Luva” Vianinha procura apurar suas estratégias formais no sentido de figurar e discutir os impasses vividos pela intelectualidade de esquerda, setor de que se constituía, aliás, a maioria esmagadora do público ao qual seu trabalho havia voltado a se direcionar após o golpe. O texto, nunca dado a público por ele em vida, é um desafiador exercício interpretativo e uma inegável e importantíssima provocação no sentido de colocar em debate a relação entre as opções e rupturas formais praticadas pelo autor e as questões históricas e políticas tratadas em sua dramaturgia.
O Grupo TAPA tem um extraordinário lastro de trabalho ligado à pesquisa dramatúrgica e cênica, e uma inquestionável importância no sentido de construir e de aprofundar o estudo sistemático do teatro brasileiro e da dramaturgia nacional. Lembre-se, a esse respeito, que o TAPA foi responsável pela recolocação do teatro de Vianinha em pauta e em cena num momento histórico em que as peças do autor eram invariavelmente classificadas como “datadas” e como desprovidas de diálogo artístico com o presente histórico-social do país.
Isabella Lemos e Marcelo Pacífico apresentam o perfil imprescindível para o trabalho necessário a uma proposta de montagem de “Mão na Luva”: além de uma apurada sensibilidade interpretativa e excelente trabalho corporal, possuem uma significativa motivação também para o estudo aprofundado das questões formais e de sua relação com a matéria histórica e social tratada pelo autor. O trabalho proposto por Isabella Lemos e por Marcelo Pacífico não poderia, portanto, encontrar melhor solo para se desenvolver do que o Núcleo de Estudos do Grupo TAPA, onde vêm desenvolvendo uma longa e enriquecedora trajetória de pesquisa iniciada em 2007. É importante acrescentar, a esse respeito, que o trabalho em andamento tem a supervisão de diretores com a estatura artística de Eduardo Tolentino de Araújo, de Guilherme Sant´Anna e de Brian Penido Ross.
Em vista de todas essas considerações, RECOMENDO de forma irrestritamente favorável, o projeto por eles apresentado de adaptação e encenação de “Mão na Luva”, de Oduvaldo Vianna Filho. Maria Sílvia Betti Docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.