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Liberdade, Liberdade*

Hoje (6/2/2009), é uma noite memorável. É o início de resgate dos araçatubenses que saíram daqui e se projetaram noutras paragens. Hoje, é o dia de Luís Carlos Ribeiro, arquiteto, político do PPS, que já foi secretário no Estado do Mato Grosso do Sul. O jornalista Luís Carlos Luciano narrou a vida de seu homônimo com propriedade no livro “Ribeiro: Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente – Exercício de Cidadania”.
No dia 13 de março [2009], será o dia do araçatubense Flávio Rey de Carvalho, diplomata, que já foi cônsul, filho do então professor da FOA-Unesp e membro da Academia Araçatubense de Letras, Antônio César Perri de Carvalho. Flávio estará aqui, autografando seu segundo livro “Um Iluminismo português? – A reforma da Universidade de Coimbra (1772)”
Como secretário da Cultura, fazemos esta homenagem ao Luís Carlos Ribeiro com satisfação. E fazê-la neste espaço, Casa da Cultura Adelino Brandão, um prédio tombado, tem dupla significação.

Da esquerda para a direita:Luís Carlos Ribeiro, Luís Carlos Luciano e Hélio Consolaro

Adelino Brandão foi um pertinaz intelectual, escreveu mais de 30 livros, viveu por 20 anos em Araçatuba. Casado com a araçatubense Neucy Louzada. Parecia cumprir uma sina: quase todos seus livros tratavam de Euclides da Cunha. Fazer com que o espírito do patrono reabite este espaço cultural é nosso primeiro propósito.
Este prédio foi sede do Instituto Noroestino de Tecnologia e Cultura – o Intec. Ele foi, durante a ditadura militar, a resistência da intelectualidade e dos artistas araçatubenses. No Teatro Castro Alves, muitos artistas famosos apresentavam seus espetáculos, de Vinícius de Moraes a Marília Pêra.
Trazer Luís Carlos Ribeiro, filho do antigo militante do PCB, Sr. Geraldo Ribeiro, com 90 anos, morador de Araçatuba, é um resgate à resistência nos anos de chumbo, quando poucos araçatubenses saíram em defesa da democracia e muitos, infelizmente, argumentavam que a ditadura era necessária.
Veio a anistia, vivemos novos tempos, a democracia triunfou. Hoje, descobrimos que comunistas não comem criancinhas e que a esquerda brasileira tem condições de governar o país até com mais democracia.
Há alguns anos, seria inimaginável sonhar com Lula, presidente, e Cido Sério, prefeito. Usando o chavão tradicional, que esquerda e direita podiam conversar e administrar conjuntamente uma cidade e um país. Mudamos todos nós.
Então, Luís Carlos Luciano, narrou Araçatuba de 1964, e esta narração trouxe-o à nossa cidade. De seu narrador, passou a fazer parte dela, porque nos trouxe de volta aquelas heróicas lembrança e Luís Carlos Ribeiro à sua terra natal.
Casa da Cultura Adelino Brandão para todos, um espaço onde aqueles que discordam de nós não serão chamados de traidores e nem de inimigos, porque democracia e liberdade devem ser um valor universal, valores pétreos de nossa Constituição.
Liberdade, liberdade tenha sempre suas asas abertas sobre nós!

* Discurso proferido na solenidade de abertura da noite autógrafo.
**Hélio Consolaro é secretário de Cultura de Araçatuba.